domingo, 21 de maio de 2023

A Janela

Vejo a luz que vem da janela
Iluminando os cabelos dela
Trespassado a pele dura 
Ela não teme a censura

Vejo o mar nos olhos teus
E a bravura destes céus
Ao julgar que nesse mar 
Não irias sufocar

Vejo a escuridão nascer
E a luz desaparecer
Contou-me o dito mar 
Que ela teme regressar

Vejo um pássaro numa borda
Como que numa fina corda
Daquela janela graciosa
Que se abre mariposa

Vejo o momento que passou
O que é que dele ficou?
O que passou é passado
Ressuscitado e enterrado

→ 28 Janeiro 2022



A Tempestade

Os dias vão passando
E o céu que escurece
O coração vai pesando
Num dia que amadurece

A tempestade que perpassa
Na bonança que vem 
A seguir trespassa 
A verdade que regem

Moldo a tempestade 
Tento fazê-la passar
Mas ela não tem vontade
De fazer-se cessar

Gritos mudos da alma 
Que saudade estou a ver
Ela não cabe na palma
Ela não cabe no meu ser 

Só queria que a bonança
Fosse algo banal
E que a velha esperança
Fosse tornada real

E com esta poesia 
Eu tento esquecer
Mas seria hipocrisia
Se parasse de chover

→ 21 Maio 2023 



→ Não escrevo há algum tempo, então pode não ser tão bom como os anteriores! Explicação: 
1° : o coração vai pesando com as coisas más que têm acontecido mas vai amadurecendo e aprendendo com isso;
2°: A bonança veio para acalmar, mas a tempestade logo passa por ela de novo e relembra a verdade, a realidade. Isto descreve um ciclo;
3°: Tento com que a tempestade mude de ideias/acabe/acalme/ se extinga, sem sucesso; 
4°: Saudade dos bons tempos antes da tempestade, gritos mudos = gritos impotentes; 
5°: Desejo da bonança (ou seja, felicidade) finalmente permanecer e não ser extinguida pela tempestade (maus dias), como por vezes acontece. Desejo de com isso também a esperança de fazer a tempestade mudar de ideias/acabar, aconteça; 
6°: Tentar expulsar e esquecer os meus sentimentos através da poesia, sem sucesso, e portanto, continuará a chover. 


terça-feira, 25 de agosto de 2020

Tapeçaria

Vivo a minha vida
Não sei de quem a vivo
Corre uma pedra entretida
Da qual sempre me esquivo

Numa tapeçaria de pedra
Vejo o que ela almeja
Não sei se será regra
Mas ninguém o deseja 

Presa dos lados
Tapeçaria maldita
Cuspo dela bocados
Sem a ver aflita

Invejo o que não quero invejar
Invejam-me o que não sei ter
Rocha livre eu queria ser
Sem ter de me despedaçar

Seda fina como as outras
De bela flor que pode haver
Livres, elas respiram rosas
O que eu nunca pude ter

A única coisa que me entristece
É que o tempo não pára
Ele não recua, ele envelhece
E comigo se declara 


→ 24 Outubro 2019

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Amizades Falsas

De cacto pequeno tu vens
Consertando cada espinho
Que somente cresce quando não tens
Quem atraiçoar no caminho

Coroas lindas de maldade
As flores vermelhas vês nascer
Cor de sangue, da deslealdade
Que tu seguras sem temer

Sem querer ela persiste
E beijei a mão da sabedoria
Que me falou com agonia
"Amizade verdadeira existe"

Desistes do teu ser que guardas
Como da verdade que matas
E aí essas flores vermelhas
Sempre irão cair...
Mesmo que tu não queiras.




quinta-feira, 19 de julho de 2018

Vida vs Morte

Eles são como garfo e faca
Numa longa refeição entediada
Um jantar à luz da lua fraca
E da luz solar amada

Olham-se sem se tocar
E sentem o frio do Inverno
Vêem o Verão passar
Desejando alcançar o eterno

Fogo e gelo de um momento
Cheio de ódio e amor
Enlaçam-se num confronto atento
E tentam saber-se de cor

Traçam os pólos das suas mentes
Enquanto se amam sem perdão
Como jóias que escolhem ser inocentes
Eles recuam pelo coração

Como seria o sol sem a lua?
Ou o Inverno sem o Verão
Como seria a minha mão sem a tua?
Ou o mundo sem coração

Como seria a vida sem a morte?
Como seria o fim sem o começo?
Entre eles existe uma ponte
Uma eternidade, um preço


— Aprovado por "profissionais competentes"






terça-feira, 17 de julho de 2018

O Poema Norteado

Permaneço nesta casa de ouro
Imaginando estar num poema
Que só de palavra se faz tesouro
E faz do sentimento sua alma

Procuro um poema de água
Que seja o mar que não atravessas
A verdade impenetrável, a tua
O imenso rio que te corre nas veias

Somos muito pouco para muito
Sendo que nem me lembro de ti
Morreremos aquando este mito
Foi para não encontrá-lo que vim

— Este poema foi feito com o intuito de ser partilhado


Dona Morte

Estava tão preparada
Numa corda atada, uma vida apagada
Repousada num sorriso com piada
Não era sorriso, era nada

A nossa amiga corre e tece
O que se estende para além do agora
Não tem fim, mas não demora
Numa contradição que nos pertence

Estava tão preparada
A minha amiga deitada, me media
"Se ficasse á espera dessa audácia
A loucura reinaria e eu estava desempregada"