Eles são como garfo e faca
Numa longa refeição entediada
Um jantar à luz da lua fraca
E da luz solar amada
Olham-se sem se tocar
E sentem o frio do Inverno
Vêem o Verão passar
Desejando alcançar o eterno
Fogo e gelo de um momento
Cheio de ódio e amor
Enlaçam-se num confronto atento
E tentam saber-se de cor
Traçam os pólos das suas mentes
Enquanto se amam sem perdão
Como jóias que escolhem ser inocentes
Eles recuam pelo coração
Como seria o sol sem a lua?
Ou o Inverno sem o Verão
Como seria a minha mão sem a tua?
Ou o mundo sem coração
Como seria a vida sem a morte?
Como seria o fim sem o começo?
Entre eles existe uma ponte
Uma eternidade, um preço
— Aprovado por "profissionais competentes"
quinta-feira, 19 de julho de 2018
terça-feira, 17 de julho de 2018
O Poema Norteado
Permaneço nesta casa de ouro
Imaginando estar num poema
Que só de palavra se faz tesouro
E faz do sentimento sua alma
Procuro um poema de água
Que seja o mar que não atravessas
A verdade impenetrável, a tua
O imenso rio que te corre nas veias
Somos muito pouco para muito
Sendo que nem me lembro de ti
Morreremos aquando este mito
Foi para não encontrá-lo que vim
— Este poema foi feito com o intuito de ser partilhado
Imaginando estar num poema
Que só de palavra se faz tesouro
E faz do sentimento sua alma
Procuro um poema de água
Que seja o mar que não atravessas
A verdade impenetrável, a tua
O imenso rio que te corre nas veias
Somos muito pouco para muito
Sendo que nem me lembro de ti
Morreremos aquando este mito
Foi para não encontrá-lo que vim
— Este poema foi feito com o intuito de ser partilhado
Dona Morte
Estava tão preparada
Numa corda atada, uma vida apagada
Repousada num sorriso com piada
Não era sorriso, era nada
A nossa amiga corre e tece
O que se estende para além do agora
Não tem fim, mas não demora
Numa contradição que nos pertence
Estava tão preparada
A minha amiga deitada, me media
"Se ficasse á espera dessa audácia
A loucura reinaria e eu estava desempregada"
Numa corda atada, uma vida apagada
Repousada num sorriso com piada
Não era sorriso, era nada
A nossa amiga corre e tece
O que se estende para além do agora
Não tem fim, mas não demora
Numa contradição que nos pertence
Estava tão preparada
A minha amiga deitada, me media
"Se ficasse á espera dessa audácia
A loucura reinaria e eu estava desempregada"
Busca Eterna
Procuro alguma coisa
Que ninguém me vai contar
Algo que o mundo usa
Mas que não me quer dar
Mistério visto da janela
Da pálpebra do meu olhar
Sabe bem vê-la a ela
Mas não lhe sabe chegar
Foge de mim e permanece
Engana-me de vez em quando
Quando eu acho que lhe parece
Prova-me logo o desmando
O que és e onde estás?
Um sentido de vida rendido
Já não te encontras mais
E encontro-te perdido
Que ninguém me vai contar
Algo que o mundo usa
Mas que não me quer dar
Mistério visto da janela
Da pálpebra do meu olhar
Sabe bem vê-la a ela
Mas não lhe sabe chegar
Foge de mim e permanece
Engana-me de vez em quando
Quando eu acho que lhe parece
Prova-me logo o desmando
O que és e onde estás?
Um sentido de vida rendido
Já não te encontras mais
E encontro-te perdido
sexta-feira, 13 de abril de 2018
A Pantera
Não venhas, não corras
Eu não corro se tu não vieres
Mas se tu vieres eu corro
Porque é que quando vens não corres?
Foges que nem um morto
Consolado nesse caixão pronto
Teus pés de pantera negra
Como quem foge da morte plena
Vejo-te no horizonte a cada dia
Queres-me demais em demasia
Porque não me queres iluminar
Mas sempre nasce sol nesse olhar
Pantera corre desse sol nascente!
Que te mata e trespassa sem dó!
Pois raio luminoso nunca é ausente
Ambos estamos mortos, não és tu só
Eu não corro se tu não vieres
Mas se tu vieres eu corro
Porque é que quando vens não corres?
Foges que nem um morto
Consolado nesse caixão pronto
Teus pés de pantera negra
Como quem foge da morte plena
Vejo-te no horizonte a cada dia
Queres-me demais em demasia
Porque não me queres iluminar
Mas sempre nasce sol nesse olhar
Pantera corre desse sol nascente!
Que te mata e trespassa sem dó!
Pois raio luminoso nunca é ausente
Ambos estamos mortos, não és tu só
Rosa de Sangue
Uma rosa salpicada com sangue
Quais espinhos lhe acertaram
As pétalas em vão choraram
O coração que lhe pague
Sangue com sabor de nada
Cujo nunca foi provado
A música já não se ouve da banda
O sentimento foi apagado
Gostava de saber se em vida
Alguma vez cheirou como rosa
Alguma vez quis ser colhida
Onde afinal, soava a sua prosa
Agora que murchou
Ou será que não murchou
Espinhos, calor, ou apenas nada
Só sei que me perdi, só sei: não sinto nada
Quais espinhos lhe acertaram
As pétalas em vão choraram
O coração que lhe pague
Sangue com sabor de nada
Cujo nunca foi provado
A música já não se ouve da banda
O sentimento foi apagado
Gostava de saber se em vida
Alguma vez cheirou como rosa
Alguma vez quis ser colhida
Onde afinal, soava a sua prosa
Agora que murchou
Ou será que não murchou
Espinhos, calor, ou apenas nada
Só sei que me perdi, só sei: não sinto nada
quinta-feira, 12 de abril de 2018
Palavras
Vendo palavras por palavras
Por onde passar direi charadas
Águas escuras e vales sombrios
Como respostas levo gritos
Vendo palavras por palavras
Até mesmo as mal amadas
Serão amadas por mim
Flui a água sem fim
Todos vendemos palavras por palavras
Cegamente ou emprestadas
Não são palavras os vossos gritos
Uns aos outros vendemos atritos
Por onde passar direi charadas
Águas escuras e vales sombrios
Como respostas levo gritos
Vendo palavras por palavras
Até mesmo as mal amadas
Serão amadas por mim
Flui a água sem fim
Todos vendemos palavras por palavras
Cegamente ou emprestadas
Não são palavras os vossos gritos
Uns aos outros vendemos atritos
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