sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Pantera

Não venhas, não corras
Eu não corro se tu não vieres
Mas se tu vieres eu corro
Porque é que quando vens não corres?

Foges que nem um morto
Consolado nesse caixão pronto
Teus pés de pantera negra
Como quem foge da morte plena

Vejo-te no horizonte a cada dia
Queres-me demais em demasia
Porque não me queres iluminar
Mas sempre nasce sol nesse olhar

Pantera corre desse sol nascente!
Que te mata e trespassa sem dó!
Pois raio luminoso nunca é ausente
Ambos estamos mortos, não és tu só

Rosa de Sangue

Uma rosa salpicada com sangue
Quais espinhos lhe acertaram
As pétalas em vão choraram
O coração que lhe pague

Sangue com sabor de nada
Cujo nunca foi provado
A música já não se ouve da banda
O sentimento foi apagado

Gostava de saber se em vida
Alguma vez cheirou como rosa
Alguma vez quis ser colhida
Onde afinal, soava a sua prosa

Agora que murchou
Ou será que não murchou
Espinhos, calor, ou apenas nada
Só sei que me perdi, só sei: não sinto nada


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Palavras

Vendo palavras por palavras
Por onde passar direi charadas
Águas escuras e vales sombrios
Como respostas levo gritos

Vendo palavras por palavras
Até mesmo as mal amadas
Serão amadas por mim
Flui a água sem fim

Todos vendemos palavras por palavras
Cegamente ou emprestadas
Não são palavras os vossos gritos
Uns aos outros vendemos atritos